24abril
Hoje, quero trazer a temática do tempo, como vivência singular, e a importância de sentir o momento presente. Isso, baseada nas ideias de Philip Zimbardo e John Boyd, que se debruçaram nos estudos sobre perspectiva temporal. Assim como, trazer um pouco do que conheço da Gestalt-Terapia sobre o assunto.
De que modo você se relaciona com o tempo, enquanto passado, presente e futuro?
De forma simplificada, é sobre isso que esses dois autores que citei, apresentaram estudos: a maneira pela qual nos relacionamos com o nosso passado, com o presente e o futuro, interfere em como iremos nos colocar no mundo, nas relações, em como vamos lidar com determinadas situações, em como vamos fundamentar nossas escolhas.
Zimbardo aponta que ao longo da nossa história, vamos aprendendo a olhar com mais periodicidade para um desses tempos, sendo acompanhados(as) por alguns efeitos. Ansiedade, sensação de culpa, impulsividade, tristeza profunda, podem nos visitar, com mais ou menos frequência, a depender do modo que nos relacionamos com o passado, o presente e o futuro. Assim, os autores apontam uma perspectiva de funcionamento saudável para com esses tempos: mover-se entre eles de maneira fluida.
Em certos momentos, cabem perguntas: revisitar o passado ajuda? De que forma ajuda? Sentir o presente pode me ajudar como? E estar no futuro traz quais benefícios agora? – É sobre fluir e sentir as possibilidades, que envolvem o vivido de cada um(a), os aprendizados, os planos, os valores e diversos outros fatores do ontem, do hoje e do amanhã.
Muitas pessoas já podem ter ouvido falar que a Gestalt-Terapia é uma “terapia do aqui e agora”. Como assim? É no presente que podemos cuidar do que foi e do que será. É no presente que cada pessoa pode se responsabilizar por mudanças e ressignificações. No presente, podemos nos encontrar com um passado que não passou em nós, e com um futuro excessivo, em forma de uma ansiedade intensa, por exemplo. Portanto, é de grande importância saber-se nesse presente, com potencialidade de transmutação.
Zimbardo e Boyd falam sobre uma dimensão do presente chamada Presente Holístico – noção que vem das práticas meditativas do Zen Budismo (uma das influências da Gestalt-Terapia, inclusive). Tal conceito demonstra um lugar de contato consigo, com o ambiente ao redor, com o passado e o futuro por perto, de forma saudável. É justamente como a Gestalt pensa e sente a noção do aqui e agora.
Habitar o presente não significa atos irresponsáveis, baseados no imediatismo e impulsividade, e nem significa desconsiderar os outros tempos. Significa compreender que é neste momento e espaço que a vida corre em mim e em ti, e que, portanto, é aqui e agora que (des)construções podem ser feitas e (re)começos sentidos. Como isso chega pra você?
Fontes:
Artigo “Putting time in perspective: a valid, reliable individual-differences metric” – Philip Zimbardo e John Boyd, 1999
Resumo feito pelos autores do livro O Paradoxo do Tempo, dos mesmos, encontrado neste endereço: https://idoc.pub/documents/la-paradoja-del-tiempo-qn8rg80vdyl1
TED TALK com Philip Zimbardo.
No Youtube: Philip Zimbardo no vídeo The Secret Powers of Time.
"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber