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19agosto

Ser humano é ser-para o desconhecido

Ser humano é ser-para o desconhecido. A estrutura corporal dada pela natureza, anuncia que não temos olhos nas costas. Com isso, a notícia é que não dá pra controlar tudo e que a escolha de uma direção, envolve a morte de muitas outras possibilidades, em determinado espaço-tempo.

Existem limites e também não será possível estar fisicamente em dois lugares no mesmo minuto. Me faz pensar que, portanto, quando colocamos demasiado tempo no passado (em memórias), ou quando disparamos excessiva energia para o futuro (com planejamentos), pode estar diante de um desmembramento dentro, uma des-organização, uma desintegração, um senso de se estar em pedaços e não inteiro.

Estar no presente é a habitação emocionada e encorpada do mundo, em que nos encontramos com a nossa própria disponibilidade – é quando estamos inteiramente disponíveis ao tempo e ao espaço que está acontecendo, em estado de migração quando necessário, para o que foi e para o que pode ser.

O corpo desenhado para o ser humano, para além de todas as belezas, fala acerca de reconhecer limites, de escolhas, de tolerância ao improgramável, do que não vai ser possível. E a maior das narrativas que esse corpo traz é a da paixão pela criatividade. É fator de sobrevivência, inclusive.

Todas as pessoas, diante do imponderável, do mistério do devir, das torções e do irremediável, são corpos altamente criadores e criativos com potência de vida, em circunstâncias das mais impactantes. Somos corpos criativos e criadores, e talvez, seja bom recordar essa característica que compartilhamos, quando nos sentirmos incapazes, impotentes ou com uma culpa devastadora: fazemos o que é possível, do melhor jeito encontrado, momento a momento.

Sei lá. Andando na rua hoje, pensei que às vezes dá vontade de ter olhos nas costas. E foi assim que o corpo conversou comigo e umidificou uma necessidade de controle tão árida e constante: aceito o não saber, o não poder e o que morre. Para qual músculo tenso o “lutar contra” me leva?

Sou um ser-para o desconhecido – notei e senti presença, simplesmente acontecendo com o que acontecia.

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"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber