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28janeiro

O que você faz com e no vazio?

Vazio pode ser silêncio, falta, o nada, um ponto entre ocupações, solidão ou tédio.

Para uns, o vazio é o grito das dores, medos, culpas e tensões, passadas e futuras. Aqui, o vazio é experienciado como espaço a ser evitado, já que enquanto espelho, mostra, revela, escancara o abismo de dentro. E olhar pro abismo, meus caros, assusta.

Assim, o vazio vai sendo preenchido por trabalho, barulhos, vozes, telas, festas, relações, que começam-terminam-começam, sem pausas. Vazio é tempo evitado por muitos(as). Tempo que se torna sinônimo de constante movimento, como fuga. Não que a fuga seja negativa. Em variados momentos, ela salva, protege e preserva, sendo fundamental. O problema é quando fugir é resposta frequente para não se olhar no espelho, com verdade e nudez.

Ao se observar sem trajes, o indivíduo conhece seus traços, sinais, marcas e cicatrizes, acessando vias para experimentar-se, entrando em contato com histórias de sua vida, com heranças familiares, com os lugares de desejo, reconhecendo onde há aceitação em si, onde mascara e o que esconde.

Vazio é espelho!
A boa notícia é que muita coisa emerge, move e se coloca em processo, no espaço-tempo vazio, como lua em expansão: CRESCENTE, acontecendo, tornando-se.

Igualmente importante é perceber quais ciclos de vazio são possíveis de sentir, a cada momento. Buscando ajuda, se necessário, para aguçar os ouvidos e escutar o que tiver para ser escutado, no próprio vazio.

Certa vez, contei para uma professora uma angústia, de determinado momento, em que sentia que não sabia o que acontecia comigo. Ela disse: “Não busque respostas. Talvez o melhor que você pode fazer agora é manter a sua sustentação, ir para a respiração, ficar com esse não saber.” Ela falava sobre permanecer no vazio, enraizada, comigo, na aceitação do nada. Foi divisor de águas! Descobri que vazio também é semente. 🌱

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"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber