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26fevereiro

“Falar não é suficiente, mas escutar ajuda”

Mergulhada nos estudos, encontrei essa frase de Stephen Porges: falar é importante, mas não é suficiente.

Isso me fez lembrar do início do meu percurso profissional. Nas supervisões em grupo, ainda estudante, eu dizia, pensava ou ouvia colegas falarem: “fiz nada”. Principalmente quando faltavam perguntas ou técnicas e o que havia era silêncio. Já formada, em outras experiências atravessadas pelo sofrimento ético-político, a sensação era a mesma: “fiz nada, só escutei, não tinha o que dizer”.

Lembro que o “apenas” sempre aparecia junto do “estava ali”, como se estar presente não fosse fazer algo enquanto profissional. Ao mesmo tempo, vinha a surpresa ao ouvir de consulentes o quanto estar ali era significativo, ou quantas mudanças surgiam dos encontros frequentes — mesmo quando eu ou você acreditávamos que não estávamos fazendo nada.

Esquecíamos de algo fundamental: havia companhia e escuta. No processo psicoterapêutico, esses são elementos essenciais. É por onde o vínculo começa. É início, nascimento, semente. Sem vínculo, me pergunto o que realmente alcança o outro.

Para quem o indivíduo fala? O que acontece quando fala? Como se sente ao falar para aquela pessoa? A autorregulação passa pela corregulação. Precisamos uns dos outros — de faces, vozes, peles, presença, interação.

Como disse Beatriz Cardella: “quando há presença de um outro, o sofrimento pode ser comunicado e torna-se passagem, movimento, esperança. (…) Quando temos testemunhas, somos reais.”

Por isso, falar não é suficiente. É preciso que se crie conexão. Escutar quem fala ajuda. Escutar com presença e respeito.

Rubem Alves já nos lembrava: “é preciso tempo para entender o que o outro falou”. Saber ouvir é de grande importância.


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"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber