24abril
Dentro de mim há um refúgio. Dentro de ti também.
Cada ser traz em si um lugar feito de unicidade e terra, unicidade e força, unicidade e raízes. Me refiro à fonte de sustentação interna, que precisa, vez em quando, de alimento, tempo e espaço.
Lugar por vezes acessado, mas não reconhecido. Por vezes, pouco explorado. Por vezes, desacreditado ou difícil. Mas, ainda assim, é um refúgio disponível e potente.
Uma amiga querida, certa vez, me disse: “hoje estou dentro da concha”. E eu gostei da metáfora. É o tal abrigo interno, para onde o indivíduo vai, quando quer fazer de si um retiro nutritivo, que possibilita um retorno (dentro-fora) diferente. Prefiro essa palavra: retorno diferente. Considerando que cada um(a) acessará um sentido da experiência, com afetos diversos.
Com diria Clarissa Pinkola, é importante descobrirmos esse caminho de volta à concha, ou ao abrigo, ou ao lar interno. Ela aborda como um encontro com a própria pele, que possibilita centrar, sem deixar-se arrastar pelos ritmos, danças e fomes de outras pessoas. Eu acrescento: pessoas, situações ou ambientes. Em alguns momentos, vamos ser arrastadas(os), sim. As dimensões da coisa podem ser imensas. Mas podemos voltar. Clarissa diz: “encontrar nossa pele, vesti-la, ajeitá-la bem, voltar para casa, tudo isso nos ajuda a ser mais eficazes quando estivermos de volta”. Eu continuo com outra autora, chamada Oriah Mountain Dreamer, quando diz em um poema: “quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo o mais desmorona”. É bom sabermos que temos outras pessoas por perto, “quando tudo o mais desmorona”. Mas, olha, é bom sabermos que nos temos também. É bom, forte e precioso.
caso queiram saber as referências citadas entre aspas, podem me procurar. 💐
"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber