10abril
Um caderno antigo de desenho.

Lembro que nesse período, escolhi me distanciar das redes sociais e me retirei por dois anos (2015 a 2017). Foram dois anos de um profundo processo de autoconhecimento, solitário e intenso.
Oscilei, revi valores, percebi necessidades, encontrei novas formas de viver meu corpo, meu sentir, meus lugares, meus contatos.
Estar totalmente fora, foi um extremo que eu precisava experimentar naquele vivido, para dessa forma, olhar o que tinha para ser visto debaixo da pele, para além das aparências e superfície. Mergulhar em mim.
Mergulhei vagarosamente com dor e intenção.
Assim, a arte chegou como sempre, potencializando a expressão do meu ser. Retornei para o meu centro, revisitei meus movimentos padronizados, encontrei-me em outros formatos, outras nuances, outras possibilidades de existir. E foi importante!
Hoje, retomo o caderno, resgato o processo e recordo: a arte, presentificada em dança, música, imagens, cores e palavras, pode transmutar espaços e tempos, com amor e força.
Que não esqueçamos da arte!
"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber