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28abril

Você já escutou a música “Me Curar de Mim”, de Flaira Ferro?

Eu gostaria que você prestasse atenção à poesia e ao sentido de honestidade que há na letra dessa canção.

Ela fala sobre todos(as) nós, humanas e humanos.

Fala das nossas diversas partes escondidas, das nossas contradições interiores e da necessidade de reconhecimento do que não é tão belo de expor, sentir ou viver.

Quando reconhecemos o que há de desagradável em nós, podemos aceitar que somos muitos(as) na vida interior, nos transformando e crescendo bastante, com isso.

A compositora identifica maldade, hipocrisia, vaidade, inveja, preconceitos, carências, mentiras e corrupção dentro de si. Ela se percebe com muitas outras características indesejáveis e conta quão doloroso é “despir-se assim”.

Desse modo, é fundamental estarmos conscientes de que essa é uma realidade do ser humano como um todo, e não só de Flaira. Pois também temos esses aspectos desagradáveis, que podem surgir em diferentes circunstâncias, com maior ou menor intensidade e frequência.

Experimentamos, ao longo da vida, a raiva, o medo, as inseguranças, dúvidas, erros, agressividade, vulnerabilidade. A questão é que muita gente não suporta deparar-se com aquilo que não gosta de ver em si, fixando-se apenas em um modo de ser rígido, restrito e rotulado. Só que não tem jeito, somos feitos de luzes e de sombras!

A música fala em coragem para enfrentar-se, afinal, sem enfrentamento e autodescoberta, não há cura. Entendendo cura, na perspectiva de Richard Hycner, quando diz que o termo traz um significado de tornar-se inteiro(a). E este é um processo que envolve o encontro consigo mesmo(a).

Não há possibilidade de fugir de quem somos, visto que se tentarmos calar partes inaceitáveis de nós, essas partes gritam com força. É essencial escutá-las, senti-las, conhecer as necessidades de cada uma. Pois, dessa maneira, podemos acolhê-las quando chegarem, respondendo ao mundo com fluidez e flexibilidade.

A psicoterapia possibilita esse autoconhecimento, na medida em que abre a porta do que tem sido rejeitado dentro de cada um(a). Porém, é bom destacar que o objetivo não é a aprovação de tudo o que é negado ou escondido. Talvez, você continue desaprovando algumas partes de si, mas só em estar consciente de que é um pedaço do seu ser se expressando, já há avanço. Pois nesse ponto, há um perceber, um mover e uma possibilidade de crescimento.

A canção termina falando em busca.

Eu te desejo busca!

Fontes importantes para construção do texto:

  • Livro “Processo Criativo em Gestalt-Terapia”, de Joseph Zinker;
  • Texto “Subpersonalidades”, de James Vargiu.
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"Não tenho ensinamentos a transmitir. Tomo aquele que me ouve pela mão e o levo até a janela. Abro-a e aponto para fora. Não tenho ensinamento algum, mas conduzo um diálogo." | Martin Buber